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MITOS, PANDEMIA & VALORES HUMANOS

Andréa Keust Bandeira de Melo

No ano de 2019 a humanidade se deparou com a mais rápida pandemia decorrente da disseminação do coronavírus.  No início de 2020 a Organização Mundial da Saúde passou a denominá-lo de COVID-19 (do inglês Coronavírus Disease 2019).  Muitas pessoas foram infectadas na China, onde ocorreram os primeiros casos e, em seguida, todo o planeta Terra passou a vivenciar esse pesadelo.

Sabemos que o vírus tem alta taxa de letalidade e, ao longo do primeiro trimestre de 2020, muitas informações foram sendo fornecidas por vários ramos das ciências, que se uniram em busca da cura. Para diminuir o contágio, foi necessário o fechamento de fronteiras, a suspensão de atividades e serviços presenciais. Foi decretado em quase todos os países o chamado isolamento social.

Daí em diante, passamos a experimentar incertezas e a conviver com essa realidade sombria que trouxe consigo medo, pavor e muitas mortes. Tem sido um período que marcará toda a geração de pessoas que sobreviveram a essa parte da História da Humanidade.

Passamos por uma profunda transformação em nossas rotinas e foi justamente durante o período de isolamento que brotaram em mim, vários questionamentos acerca do presente o do futuro. Vieram mudanças de comportamento e de posturas a quais denominamos de “novo normal”.

Dentre essas situações de quebra de paradigmas e de fissuras de rotina, busquei inspiração para refletir sobre várias inquietações. Tal qual a maioria das pessoas que se viram dentro de casa, passei a revisitar os livros sobre assuntos que me despertam interesse, com a Bioética, a Genética e a Mitologia. Arrumei armários, gavetas, objetos. Retomei artes manuais e assisti a muitos filmes. Fui me alinhando com essa nova situação, organizando pensamentos e ideias. Sobreveio a necessidade de colocar em palavras, algumas situações vivenciadas por mim ou por pessoas próximas. Eram sentimentos e emoções que brotavam e não queriam mais ir embora e nem ficar calados.

Tal qual a Lua tem suas fases e mudanças, fui aos poucos fazendo os movimentos internos. Vivenciei, acariciei e saboreei tudo o que brotava em minha mente para a construção dos textos. Nos mitos achei uma forma lúdica para ilustrar e pontuar o centro das inquietações que afloravam.

Quando se achegava a inspiração, digitava os pontos centrais e, muitas vezes era embalada por músicas ou inspirada por poemas. Busquei aprofundar as informações que eram transmitidas e a traduzi-las em textos. Transcrevi aqueles diálogos íntimos que remexiam meu coração.  Em seguida, refletir em conjunto com pessoas mais próximas, que opinaram sobre mudanças e reparos necessários. E foi assim, juntando pedaços de sonhos, palavras, sentimentos, emoções e da realidade, que surgiram os textos que compartilho nesse pequeno livro.